Política · Protestos em Tirana
Protestos na Albânia chegam ao sexto dia sem acordo sobre os custos da educação
A polícia usou canhões de água e gás lacrimogêneo quando os estudantes voltaram ao Ministério da Educação, em Tirana. Sete policiais estão suspensos, enquanto os estudantes ainda aguardam medidas concretas para reduzir os custos da educação.
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Sete policiais foram suspensos enquanto a Albânia investiga alegações de que a resposta aos protestos estudantis envolveu uso excessivo da força e maus-tratos. As suspensões são um passo concreto rumo à responsabilização, mas ainda não representam uma conclusão de que houve má conduta — e os confrontos nas ruas continuaram. 98
Centenas de pessoas se reuniram em frente ao Ministério da Educação, em Tirana, por volta do meio-dia de domingo, 18 de outubro, exigindo a renúncia do primeiro-ministro Edi Rama. Mais tarde, a polícia usou canhões de água e gás lacrimogêneo quando a mais recente onda de manifestações chegou ao sexto dia consecutivo. A descrição da multidão se refere a essa reunião, não a todas as pessoas que protestavam na capital. 127
Rama voltou a se recusar a renunciar. Entre a insistência do governo de que permanecerá no poder e a exigência dos manifestantes de que deixe o cargo, as queixas originais sobre educação seguem sem uma solução anunciada: não foi estabelecida nenhuma redução quantificada das mensalidades, pacote de apoio financeiro ou cronograma para negociações. Rama ofereceu diálogo, não uma solução com custos calculados. 76 7
O balanço policial mais recente e substancial ainda termina no sábado, 17 de outubro. Ele não é uma contagem atualizada que incorpore a retomada dos distúrbios no domingo. 38
Fatos principais
Um mandato não é um acordo
Os estudantes reivindicam melhores condições nas universidades, mensalidades e outros custos de estudo mais baixos, mais apoio financeiro e melhores perspectivas de emprego. Suas queixas se ampliaram e se tornaram um desafio ao governo de Rama em meio a alegações de corrupção e à indignação com a conduta da polícia. O movimento inclui manifestantes pacíficos; não é justo defini-lo exclusivamente pelas pessoas mascaradas que atacaram policiais e prédios. 4 1
A resposta de Rama se baseia na legitimidade eleitoral. Em respostas por escrito à Reuters em 15 de outubro, ele disse: “Quanto aos apelos por minha renúncia, os governos mudam por meio de eleições democráticas. Tivemos eleições no ano passado, não uma revolução.” Ele também se mostrou disposto a discutir os custos da educação. 7
O Partido Socialista de Rama conquistou 83 das 140 cadeiras do Parlamento na eleição de maio de 2025, e a próxima eleição parlamentar regular está prevista para 2029. Esse resultado dá fundamento ao argumento de que ele tem um mandato para governar. Por si só, porém, não responde aos estudantes que perguntam quanto deve custar estudar nem que trabalho os espera depois. 62 67
No domingo, Rama argumentou que os distúrbios ameaçavam o avanço da Albânia rumo à adesão à União Europeia, e não a sobrevivência de seu governo. A ambição da Albânia de aderir já em 2028 continua sendo uma meta nacional, não uma data de adesão acordada. 76 3
Ele também culpou a participação da oposição e alegou interferência estrangeira, ao mesmo tempo que pediu aos manifestantes que evitassem a violência. Essas acusações não estabelecem quem organizou ataques específicos, muito menos resolvem as reivindicações educacionais subjacentes. 77 7
O que aconteceu em cada dia
A escalada de outubro alternou entre queixas relacionadas à educação e confronto direto com o Estado. Milhares de pessoas se reuniram em frente ao Ministério da Educação na quarta-feira, 14 de outubro. Incêndios e ataques naquele dia atingiram prédios públicos, bancos e outras propriedades. Na quinta-feira, os protestos haviam se espalhado por várias cidades. Esses incêndios fizeram parte da escalada de quarta-feira, não de um relato recém-estabelecido sobre o domingo. 4 14 3
O sábado marcou o quinto dia de confrontos. A BBC informou que manifestantes mascarados atiraram pedras e coquetéis molotov contra policiais que defendiam o ministério, com o foco se deslocando à tarde para o gabinete de Rama. A polícia usou canhões de água e disparou salvas de gás lacrimogêneo. Outros relatos mencionaram fogos de artifício, barricadas em chamas e granadas de efeito moral. 1 5
O uso de balas de borracha, inicialmente não confirmado de forma independente no relato da BBC, foi posteriormente reconhecido pelo chefe da polícia nacional, Skënder Hita. Ele descreveu o emprego no sábado como “de forma limitada” e defendeu que o equipamento era certificado e permitido. Esse reconhecimento confirma o uso, mas não quantas balas foram disparadas nem se cada emprego foi legal e proporcional. Não foi confirmado um novo uso de balas de borracha no domingo. 1 9 129 127
Forças especiais da polícia RENEA também foram mobilizadas no sábado, após uma denúncia de que havia pessoas armadas entre os manifestantes. A polícia publicou essa explicação no domingo, mas ela se referia à mobilização do dia anterior. A alegação sobre manifestantes armados continua sendo uma alegação, não uma prova de que a ameaça relatada existia. 107
As suspensões dos sete policiais ocorreram em meio a investigações de alegações que incluem abuso de autoridade, descumprimento do princípio da proporcionalidade e maus-tratos a manifestantes. A importância dessas suspensões não deve ser minimizada nem exagerada: os policiais foram afastados enquanto investigadores examinam suas ações, mas os resultados disciplinares finais ainda são desconhecidos. A defesa geral de Hita sobre o equipamento policial não pode resolver esses casos individuais. 98 102 101
Os números não fecham com precisão
Na entrevista coletiva de sábado, Hita também anunciou que outras 388 pessoas enfrentavam processos criminais. A formulação as apresenta como adicionais às pessoas presas, mas nenhuma lista dos casos nem metodologia de contagem confirma um total verificado de indivíduos únicos nas diferentes categorias. A BBC informou separadamente que 80 pessoas foram acusadas de desordem. Prisão, detenção, processo e acusação formal são etapas jurídicas distintas; somar esses números pode contar algumas pessoas mais de uma vez. 98 1
O número de prisões divulgado anteriormente, na quarta-feira, exige atenção especial. O relato do Guardian de 15 de outubro mencionou 65 prisões. Reportagens mais específicas sobre o anúncio da polícia, publicadas pelo Euronews Albania e pelo Faxweb, informam 55 prisões formais, incluindo dois menores, e processos envolvendo outras 98 pessoas. A RTSH informou separadamente que 65 pessoas foram levadas à custódia policial — uma categoria distinta da prisão formal. Essa distinção pode explicar a descrição anterior, mas os relatos ainda não foram totalmente conciliados. O número de prisões formais respaldado para aquele anúncio é 55, e ele se enquadra no período abrangido pelo balanço posterior de cinco dias. 3 117 122 118
Os dados sobre o impacto humano são ainda menos completos. Não há um total acumulado confirmado de manifestantes feridos que possa ser comparado ao número de policiais divulgado pelas autoridades. Uma atualização do Ministério da Saúde, noticiada pela Agência Telegráfica Albanesa em 15 de outubro, informou que 89 pessoas receberam atendimento após o protesto de quarta-feira, com base em informações de dois hospitais. Naquela manhã, seis permaneciam internadas no Hospital de Trauma. O número de atendimentos não equivale automaticamente a uma contagem completa de feridos. 116
Os primeiros relatos sobre policiais feridos também divergem. A reportagem do Euronews Albania de 15 de outubro sobre o anúncio da polícia citou 51; uma legenda do Guardian usou 61; e a ATA informou que Hita havia dito 71. As definições e os períodos abrangidos por esses relatos não foram conciliados. Eles não podem ser tratados como uma sequência consistente nem subtraídos dos 89 pacientes hospitalares para calcular o total de manifestantes feridos. 117 3 120
Um movimento mais amplo por trás do confronto
A contagem de seis dias descreve esta última onda, não toda a história do movimento. As manifestações remontam ao início de junho. A oposição a um resort de luxo proposto para o litoral sul da Albânia, apoiado por Jared Kushner, genro de Donald Trump, ajudou a fortalecer a campanha mais ampla. O projeto enfrentou contestação judicial, e o movimento — às vezes chamado de Revolução do Flamingo — vinculou preocupações ambientais a questões de corrupção, terras protegidas e investimentos estratégicos. Esse contexto não significa que todos os estudantes tenham exatamente as mesmas reivindicações sobre o resort. 1 3 13
Uma investigação separada sobre corrupção aumentou a pressão sobre o governo de Rama. O empresário Ergys Agasi foi preso no fim de agosto, enquanto a ex-chefe da inteligência Vlora Hyseni foi colocada em prisão domiciliar e suspensa em setembro por alegações relacionadas a ele. Agasi nega qualquer irregularidade, e Rama nega ter conhecimento de transações ilegais. O caso é um contexto político paralelo, não uma explicação comprovada para os confrontos estudantis. 48 51 1
A declaração da Comissão Europeia de 18 de outubro abordou os dois lados da crise imediata. Condenou a violência, incluindo incêndios criminosos e ataques a instituições, e insistiu que a resposta permanecesse legal e proporcional. Afirmou a liberdade de reunião e de expressão e saudou o compromisso das autoridades de proteger os direitos de manifestação. 75
Conforme exibido 27 linhas
- Police have arrested 167 people during five days of student-led unrest.
- The demonstrations have now reached a sixth day, and seven officers have been suspended amid excessive-force investigations. Students demanding cheaper education are confronting a prime minister who refuses to resign.
- They're still waiting to learn what Edi Rama will offer beyond a discussion of education costs.
- Hundreds gathered outside the Education Ministry around midday Sunday, October eighteenth, chanting for Rama to leave. Police later used water cannon and tear gas. That crowd description covers the gathering at the ministry, rather than everyone demonstrating across the capital.
- Students want better university conditions, lower tuition and other education costs, more financial support and better job prospects. Their demands have widened into a challenge to Rama's government amid corruption allegations. The people seeking those changes include peaceful demonstrators as well as people involved in clashes.
- Thousands gathered outside the ministry on Wednesday, October fourteenth. By Thursday, demonstrations had spread to multiple cities. Students' complaints about the price of studying now sit alongside demands for the prime minister's resignation and anger over how police have handled the protests.
- Wednesday's escalation included attacks and fires at government buildings, banks and other property. Saturday brought a fifth day of confrontation. Sunday extended the wave to six days. The fires and attacks from Wednesday belong to that earlier escalation.
- Masked protesters threw rocks and petrol bombs at police defending the Education Ministry on Saturday. During the afternoon, confrontations shifted toward Rama's office. Police used water cannon and volleys of tear gas. Fireworks, burning barricades and stun grenades also marked that day's clashes.
- Police chief Skënder Hita acknowledged that officers used rubber bullets during Saturday's confrontations. He described their use as limited and defended the equipment as certified and permitted. Sunday's confirmed police response included water cannon and tear gas; fresh rubber-bullet use hasn't been confirmed.
- Special RENEA police forces also deployed on Saturday after a call alleging armed people among protesters. Police published that explanation on Sunday. The allegation about armed protesters remains an allegation. Hita's defense of police equipment also leaves each use of force subject to scrutiny.
- Hita put the five-day arrest total at 167 during his Saturday briefing. He also announced 388 other people facing criminal proceedings. Those figures stop on October seventeenth, before Sunday's renewed gathering.
- Arrest, detention, criminal proceedings and a formal charge describe different legal stages. Eighty people were separately reported charged with disorder by Saturday. That figure hasn't been reconciled with the police totals, so adding the categories would risk counting the same people more than once.
- Seven officers were suspended while investigators examine allegations of exceeding authority, failing to use proportionate force and mistreating protesters. The suspensions are concrete disciplinary steps. Investigators still have to determine what happened and whether the officers committed misconduct.
- Wednesday's formal arrest count needs a correction. Police announced 55 arrests, including two minors, and criminal proceedings involving 98 others. Some early descriptions put arrests at 65. A separate figure of 65 people taken into police custody may help explain the difference, but the counts haven't been fully reconciled.
- Those Wednesday figures belong within the period covered by the later five-day tally. They shouldn't be added as another group of arrests. People taken into custody can pass through different legal stages, and the eventual outcomes of these cases are still unknown.
- Hita also said 132 police officers had been injured over five days. There isn't a comparable cumulative count of injured protesters. Seven protesters reportedly sought treatment at one hospital early in the unrest, but that narrow snapshot captures only part of the human toll.
- The Health Ministry said 89 people received treatment after Wednesday's protest, drawing on information from two hospitals. Six remained hospitalized at the Trauma Hospital on Thursday morning. Treatment figures describe people receiving care and can't automatically be treated as a complete injury count.
- Earlier officer-injury figures ranged from 51 to 61 to 71. Their definitions and reporting cutoffs haven't been reconciled. They can't be used as a clean sequence, or subtracted from the hospital's 89 patients to calculate how many protesters were injured.
- The latest six-day wave sits within a longer movement, with demonstrations stretching back to early June. Opposition to a proposed luxury resort on Albania's southern coast helped build that campaign. The project is backed by Jared Kushner, Donald Trump's son-in-law, and has faced legal challenges.
- The wider campaign, sometimes called the Flamingo Revolution, connects environmental concerns with arguments about corruption, protected land and strategic investment. The October student escalation adds education grievances to that background. Students haven't all adopted an identical set of demands about the resort.
- A separate corruption investigation has added pressure around Rama's administration. Businessman Ergys Agasi was arrested in late August. Former intelligence chief Vlora Hyseni was placed under house arrest and suspended in September over allegations connected to Agasi. Agasi denies wrongdoing, and Rama denies knowing about illegal transactions.
- That investigation runs alongside the student protests. The immediate confrontation remains over education, government accountability and Rama's future. Rama has blamed opposition involvement and alleged foreign interference, while urging protesters to avoid violence. Those accusations don't identify who organized particular attacks.
- Rama has repeatedly refused to resign. His Socialist Party won 83 of parliament's 140 seats in the May 2025 election. The next regular parliamentary election is due in 2029, giving him an electoral mandate he invokes against the demands on the streets.
- On Sunday, Rama again rejected resignation and argued that the unrest threatened Albania's progress toward European Union membership rather than his government's survival. Albania wants to enter the EU as early as 2028. That remains the country's target, with accession still to be agreed.
- The European Commission condemned violence, including arson and attacks on institutions, on Sunday. It also insisted on a lawful, proportionate response and affirmed freedom of assembly and expression. It welcomed the authorities' commitment to protect the right to protest.
- The earlier EU delegation appeal also urged restraint and de-escalation. Protecting people and buildings from attack leaves police responsible for protecting peaceful assembly too. The seven officer suspensions put some allegations of excessive force under investigation, with final disciplinary outcomes still pending.
- Rama offered to discuss education costs in his October fifteenth responses. He hasn't announced a quantified tuition reduction or financial-support package. Students still have no announced education-cost settlement or date for negotiations.
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