Política · Eleição antecipada na EspanhaCobertura em andamento · reportagem 1 de 2

Uma idosa de 87 anos despejada, uma votação fracassada sobre moradia e agora um Parlamento espanhol dissolvido

O Real Decreto 806/2026 está em vigor e a Espanha vota em 29 de novembro. Pedro Sánchez aposta que a indignação com a moradia pode vencer um déficit nas pesquisas, enquanto os inquilinos aguardam sem proteções substitutas.

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Cobertura completa
  1. Atualização 1Uma idosa de 87 anos despejada, uma votação fracassada sobre moradia e agora um Parlamento espanhol dissolvidoVocê está aqui
  2. Atualização 2Maricarmen morreu sem voltar para casa. A disputa habitacional na Espanha continua sem resoluçãoMais recente

María del Carmen Abascal, de 87 anos, viveu por cerca de 70 anos no mesmo apartamento no distrito de Retiro, em Madri. Em 23 de setembro, ela foi retirada de lá em uma maca, usuária de cadeira de rodas, depois que a empresa que comprou o prédio mais que triplicou seu aluguel. Ela foi levada ao hospital. Um acordo para o retorno foi noticiado em 29 de setembro, com contrato de oito anos e aluguel limitado a 30% de sua renda líquida, mas, segundo o relato mais recente de que dispomos, ela continuava internada e não há confirmação de que voltará para casa. 69 O despejo dela desencadeou os protestos que terminaram na dissolução do Parlamento. Ela não tem parentesco com o líder do Vox, Santiago Abascal; o sobrenome em comum é coincidência.

Em 5 de outubro, noticiamos dezenas de milhares de pessoas marchando em Madri contra os custos da moradia, confrontos em Valência e apenas que Sánchez estaria avaliando antecipar as eleições. Isso agora está definido. Ele anunciou a votação em pronunciamento à nação no mesmo dia, e o decreto veio em seguida. 8

O que o decreto determina

O Real Decreto 806/2026, datado de 5 de outubro, dissolve o Congresso e o Senado eleitos em julho de 2023 e convoca as duas câmaras às urnas no domingo, 29 de novembro. Foi publicado no diário oficial (BOE n.º 248) em 6 de outubro e entrou em vigor nesse dia. 79 Foi editado depois de o Conselho de Ministros deliberar em 5 de outubro, por proposta do presidente do governo. 80

Isso corrige um relato inicial. Um trecho traduzido e truncado do Guardian News sugeria que o Conselho extraordinário se reuniria "amanhã". 7 Ele se reuniu no dia do anúncio. O governo continua sendo um governo pleno até a votação, não um governo interino. 86

O decreto também resolve um conflito entre veículos sobre a campanha. A DW disse que ela duraria 55 dias. 1 A BBC disse duas semanas a partir de 13 de novembro. 4 A BBC estava mais próxima. O decreto fixa uma campanha de 15 dias, das 00h00 de sexta-feira, 13 de novembro, às 24h00 de sexta-feira, 27 de novembro, seguida de um dia de reflexão, o 28. 104 Os 55 correspondem ao intervalo entre o anúncio e o dia da votação. Essa é uma conta nossa, não um número que alguém tenha atribuído à campanha.

Do despejo à eleição

  1. Qua, 23 set.

    Maricarmen Abascal é despejada à força de sua casa em Retiro.

    26
  2. Sex, 2 out.

    O Congresso rejeita os dois decretos de moradia, por 178 a 172 e 184 a 166.

    42
  3. Seg, 5 out.

    Sánchez anuncia a eleição; o Conselho de Ministros adota o decreto de dissolução.

    80
  4. Ter, 6 out.

    Decreto é publicado no BOE e entra em vigor; os partidos têm dez dias para registrar coligações.

    79
  5. 21 a 26 de out.

    As candidaturas são registradas.

    85
  6. Sex, 13 nov.

    A campanha oficial começa às 00h00 e dura 15 dias.

    104
  7. Dom, 29 nov.

    Eleição geral.

    79
  8. Qua, 23 dez., 10h00

    As novas câmaras realizam suas sessões constitutivas.

    86

Os inquilinos no vácuo

Os dois decretos que o Congresso derrubou são o motivo da eleição, e a perda deles deixa os inquilinos expostos durante a campanha. PP, Vox e Junts votaram contra; reportagens descrevem as medidas como incluindo a proibição de despejar inquilinos vulneráveis até 2030 e prorrogações de contratos por dois anos, embora esses termos não tenham sido verificados de forma independente. 40 A BBC disse que o governo proibiu despejos até 2030 depois do caso de Abascal. 4 Essa proibição estava num decreto que o Congresso depois rejeitou, portanto não deve ser entendida como proteção em vigor. Os decretos foram noticiados como revogados, a data exata de término da vigência não está disponível e nenhuma substituição foi verificada.

PP e Vox argumentaram que os decretos não protegiam os proprietários e que milhares de apartamentos haviam saído do mercado. 1

A aritmética da aposta

Sánchez lidera uma minoria PSOE–Sumar que não aprova um orçamento desde 2023 e enfrenta denúncias de corrupção e críticas pela crise de Ceuta. O Guardian fala em cerca de 70.000 travessias vindas do Marrocos em 48 horas; a BBC diz que a maioria das mais de 70.000 chegadas de julho foi devolvida. 6 Ele apresenta a votação como uma escolha entre aderir à onda de extrema direita e manter a Espanha como bastião de abertura, justiça social e responsabilidade ambiental. 6 O analista Javier Carbonell, do European Policy Centre, diz que a fraca mobilização da esquerda o prejudica e que Sánchez espera que a moradia mude isso. 5

As únicas pesquisas de que dispomos são anteriores à convocação. Uma pesquisa da 40dB para o El País e a Cadena SER (trabalho de campo de 25 a 28 de setembro) deu ao PP 31,6%, ao PSOE 27,4%, ao Vox 18,4%, ao Sumar 5,6% e ao Podemos 2,7%. PP e Vox somados chegam a cerca de 50%, contra 35,7% de PSOE, Sumar e Podemos juntos. 126 O CIS, instituto estatal de pesquisa, que costuma ser mais favorável ao PSOE que as empresas privadas, deu aos socialistas 32,8% e ao PP 23,7% em setembro. 114 Nenhuma pesquisa feita após o anúncio havia sido divulgada até a noite de 6 de outubro.

São projeções, não resultados. Elas apontam, porém, em uma direção: o PP lidera, mas não está a caminho dos 176 assentos de 350 necessários para a maioria absoluta, de modo que um governo PP–Vox é o desfecho mais provável, e Carbonell espera que Abascal se torne vice-presidente. 5 Reuters e Guardian observam que seria o primeiro governo de extrema direita da Espanha desde a morte de Franco, em 1975. 3

Por fin decidirán los españoles. No unos pocos, no uno solo, todos los españoles.

Alberto Núñez Feijóo, líder do PP 107

A promessa de Feijóo, noticiada pela DW, é de 600.000 empregos e 1 milhão de apartamentos sob um governo do PP. 1 Nenhuma estimativa de custo ou mecanismo de execução aparece em qualquer material que vimos, portanto é uma promessa de campanha, não um plano. Abascal, do Vox, chama a disputa de "muy incierta" e lembra 2023, quando PP e Vox lideravam as pesquisas e Sánchez ainda assim formou governo. 107 Isabel Díaz Ayuso, de Madri, pediu que as pessoas não votem por correio, alegando possíveis "adulteraciones"; as reportagens não apresentam provas disso. 107

A esquerda é a parte mais fraca da aposta. O Sumar diz que sua nova Frente Amplio, até agora com IU, Más Madrid e os Comuns, está pronta, mas não nomeou nenhum candidato. Uma apresentação está prevista para 17 de outubro. Yolanda Díaz já havia deixado o posto de candidata principal, e o Podemos ofereceu primárias abertas. 127

O que sabemos

  • As Cortes estão dissolvidas; o Real Decreto 806/2026 foi publicado em 6 de outubro e a eleição será em 29 de novembro. 79
  • A campanha oficial dura 15 dias, de 13 a 27 de novembro, seguida de um dia de reflexão. 104
  • As pesquisas anteriores à convocação colocam o PP em primeiro e PP mais Vox perto de 50%; ainda não existe pesquisa posterior ao anúncio. 126

O que não sabemos

  • Se a esquerda se unirá em torno de uma única chapa e de um único candidato.
  • Se alguma proteção à moradia será restabelecida antes do dia da votação e se Maricarmen Abascal voltará para casa.
  • Se o PP precisa do Vox e em que termos.

Próximos passos

  • Apresentação da Frente Amplio do Sumar em 17 de outubro, dentro do prazo de registro de coligações.
  • Registro de candidaturas, de 21 a 26 de outubro, e as primeiras pesquisas feitas após a convocação.
Conforme exibido 14 linhas
  1. On October 5 we reported Sánchez was weighing an election. Today, a decree dissolved Spain's parliament.
  2. Spain now votes months ahead of schedule, and pre-call polls point to a Popular Party–Vox coalition, which would be the country's first far-right government since Franco. Can housing anger rescue a prime minister who trails in the polls?
  3. Congress rejected two emergency housing decrees, 178 to 172 and 184 to 166, with the Popular Party, Vox and Junts voting against. Behind them stood María del Carmen Abascal, 87, a wheelchair user evicted from the Madrid home she had lived in for about 70 years after the buyer more than tripled her rent. She was hospitalised, and no return home is established. She is no relation to Vox's Santiago Abascal.
  4. Tens of thousands marched in Madrid the day after both decrees fell, and five people were detained in Valencia outside a real estate summit. Sánchez called the election two days later. The extraordinary Council of Ministers met that same day, October 5, not the next.
  5. Royal Decree 806/2026 dissolves both the Congress and the Senate elected in 2023 and calls elections to both chambers. It took effect when published in the official gazette on October 6. The government is not in caretaker status until after the vote.
  6. The campaign lasts 15 days, not 55. One account gave 55 days, another two weeks from November 13. The decree sets 15 days, from November 13 to 27. The 55 matches the span from the announcement to polling day.
  7. Parties have ten days from October 6 to register coalitions, and candidacies are registered October 21 to 26. After the campaign comes a reflection day, then voting, and the new chambers meet December 23. Madrid gains a seat, rising to 38 deputies; Cádiz loses one.
  8. The defeated measures reportedly included a ban on evicting vulnerable tenants until 2030 and two-year lease extensions, though neither term is independently verified. That ban is not protection in force, and no replacement is verified. The Popular Party and Vox argued the decrees did not protect owners.
  9. Sánchez's minority coalition with Sumar has passed no budget since 2023, and it faces corruption allegations and criticism over the Ceuta crisis, when about 70,000 people crossed from Morocco in 48 hours. He is betting housing anger will mobilise left voters. He calls the vote a choice between joining the far-right wave and keeping Spain a bastion of openness, social justice and environmental responsibility.
  10. Before the call, the Popular Party led with 31.6 percent, the Socialists had 27.4, Vox 18.4, Sumar 5.6 and Podemos 2.7. The Popular Party and Vox together reach about 50 percent, against 35.7 for the left. These are projections, not results.
  11. The state pollster's September survey tells a different story: the Socialists at 32.8 percent, the Popular Party at 23.7. It typically tilts toward the Socialists relative to private polls. The Popular Party is not on course for an absolute majority of 176 of 350 seats, so a coalition with Vox is seen as likeliest, with Santiago Abascal expected to become vice president.
  12. Feijóo welcomed the call, saying Spaniards will finally decide, not a few, not one, but all of them. He pledges 600,000 jobs and 1 million flats under a Popular Party government, a campaign promise with no costing or delivery mechanism in the record.
  13. Vox's Santiago Abascal calls the race very uncertain, recalling 2023, when his party and the Popular Party led the polls but Sánchez still formed a government. Madrid's regional president, Isabel Díaz Ayuso, urged people not to vote by post, alleging possible tampering; no evidence for that appears. Junts, which helped kill the decrees, accuses Sánchez of using people's suffering over housing for electoral ends.
  14. On the left, Sumar's Frente Amplio says it is ready but has named no candidate, with a presentation planned for October 17. Yolanda Díaz had already stepped back, and Podemos offers open primaries. No poll taken after the call exists yet, so whether housing anger can rescue Sánchez remains unknown.

Fontes

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